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Panorama mundial e perspectivas da pecuária nacional

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GRUPO ADECA

  • junho 26, 2019
  • , 2:19 pm
  • , ADECA, Confinamento

Panorama mundial e perspectivas da pecuária nacional

O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, 20% do território nacional são ocupados com pastagens que são destinadas à criação de gado. Porém, apesar do Brasil conter 15% dos bovinos presentes no mundo, os Estados Unidos são os maiores produtores e, também, os maiores consumidores de carne.

 

De acordo com o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, 2018), o consumo dos Estados Unidos foi de 12,59 milhões de toneladas em 2018, ou seja, 20,67% de todo consumo mundial. A China é o segundo maior consumidor mundial de carne bovina em termos absolutos, com 8,53 milhões de toneladas, apesar de apresentar um consumo per capita ainda modesto. O Brasil completa a lista dos 3 maiores consumidores mundiais de carne bovina, com estimativa de 7,93 milhões de toneladas em 2018.

 

Os EUA possuem um rebanho equivalente à metade do Brasil, e mesmo assim, são responsáveis por boa parte da carne produzida mundialmente. Nesse sentido, é importante destacar que existem diferentes métodos de realização dessa atividade, de modo a haver dois tipos de sistemas agropecuários: o extensivo e o intensivo.

 

A pecuária extensiva consiste na criação a pasto com a ocupação de grandes áreas. No Brasil, 90% da produção nacional está inserida nesta modalidade. Predomina a utilização dos nutrientes do pasto, como suprimento para os animais. Então, o gado é criado solto, e como forma de suplementação é feito o fornecimento de sal comum e sal mineral.

 

A principal vantagem da pecuária extensiva é a baixa necessidade de investimentos, embora ainda existam gastos com reposição mineral e suplementação. As desvantagens são a necessidade de ocupação de grandes áreas, o que pode gerar problemas ambientais, a disponibilidade de pasto e a carência de alimentação.

 

A pecuária intensiva é um sistema mais moderno, no qual os animais são criados em uma pequena área. Sendo assim, investe-se em procedimentos tecnológicos como o objetivo de aumentar a produtividade, como o melhoramento genético e inseminação artificial aplicadas ao rebanho, entre outras estratégias de produção.

 

Uma das características da pecuária intensiva é a criação dos animais em sistema de confinamento. Tal atividade proporciona maior controle do rebanho e menor exigência de disponibilidade de terras. Pode-se dizer também que é possível controlar melhor a alimentação do rebanho e, principalmente, a incidência de doenças, aumentando a produtividade.

 

Outra diferença importante desse sistema quando comparado ao extensivo é com relação a mão de obra. São demandados menos profissionais, porém tendem a ser mais capacitados tecnicamente e especializados. Ou seja, baixa geração de emprego. As principais desvantagens consideradas são os altos investimentos requeridos para o bom desempenho do sistema, e os elevados custos de produção.

 

No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, no relatório de 2018, a pecuária exerce papel importante no Produto Interno Bruto (PIB), por estar nas atividades do agronegócio, que representou, em 2017, 22% do PIB total. Além disso, a pecuária é responsável por 31% do PIB do agronegócio, o que demonstra ainda mais relevância no setor.

 

Em decorrência da Operação Carne Fraca, em 2017, imaginou-se uma perda de protagonismo da pecuária na economia brasileira, fato que não se concretizou, pois, no mesmo período, houve um aumento de 13% em relação a 2016, totalizando US$ 6,2 Bilhões. Ainda neste mérito, os valores totais da pecuária cresceram no período, mesmo com o decréscimo dos valores do agronegócio, de maneira geral.

 

Como já citado, o Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo, mas perde para os EUA no tocante da produção. Este fato nos faz pensar sobre a eficiência da pecuária no Brasil, que poderia ser melhor, caso fossem adotadas medidas diferentes das praticadas atualmente.

 

Nos últimos anos, a área de pastagens em condições de uso (19% do território brasileiro), vem diminuindo, ao passo que o rebanho está aumentando, o que demonstra a melhoria na produtividade, e, consequentemente, um passo em direção ao desenvolvimento mais sustentável do setor.

 

Para isso, são utilizadas tecnologias de precisão que intensificam a atividade, por otimizar as questões produtivas e oferecer dados que contribuem para tal acontecimento. Para grandes produtores, isso representa um relevante avanço para o aumento da produtividade e posterior redução de custos, que já são menores em relação aos pequenos produtores, quanto à arroba produzida.

 

Ainda segundo o Perfil da Pecuária no Brasil, de 2018, os produtores entre 1 e 3 hectares gastam cerca de R$ 120,00 por arroba produzida, ao passo que nas áreas entre 26 e 38 hectares, o custo é de R$ 90,00. A diferença reside na mudança das despesas mais importantes: nas menores áreas, o custo com depreciação é elevado, e nas maiores áreas, o maior gasto está relacionado com a nutrição animal.

 

Este fato está diretamente relacionado ao emprego de tecnologias na produção. A depreciação elevada é decorrente da utilização de materiais e equipamentos simples e pouco efetivos. Nos grandes produtores, o gasto com nutrição revela a mudança de foco na produção, que passa a ser intensiva, para cada cabeça.

 

Surge, então, a importância da disseminação dos conhecimentos sobre produtividade para tais produtores, destacando o fato de redução de custos e aumento da produtividade, para que o Brasil possa desenvolver ainda mais este segmento que já apresenta bons resultados no mercado mundial.

Referências:

 

ABIEC. Perfil da pecuária no Brasil. 2018. Disponível em: <http://abiec.siteoficial.ws/images/upload/sumario-pt-010217.pdf>. Acesso em: 17 jun 2019.

 

 

USDA (United States Department of Agriculture). Beef and Cattle. 2018. Disponível em: <https://www.fas.usda.gov/commodities/beef-and-cattle>. Acesso em: 17 jun 2019.

 

 

 

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